21/03/2016

Deus e suas chineladas

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O título do post define o que senti quando passei por dias turbulentos com meu filho doente, totalmente incapaz de ajudar ou fazer algo por ele, uma completa inútil! Me senti levando uma chinelada na cara, e quem segurava essa chinela era Deus. Mas olha, a chinelada não era um castigo ou punição, estava mais para um "acorda pra vida", sabe?!!

Foi então que a ficha caiu, e eu percebi que todo aquele "deserto" era só uma das misteriosas formas Dele agir, eram as linhas tortas, Deus estava me mostrando que preciso voltar para sua casa, fazer as pazes com a igreja, como boa filha, eu o obedeci! Para entenderem melhor o que está se passando na minha vida, vou contar do começo, como sempre, então senta que lá vem história:

Nasci numa família onde a matriarca é evangélica, minha vó, claro que nem todos seguem a matriarca, mas ela tem suas influencias. Minha mãe até tentou me lavar para igreja católica, fui batizada lá, mas toda minha educação religiosa foi dentro da igreja que minha vó frequentava,  os costumes e as doutrinas, eu seguia tudo ao pé da letra. Logo eu, que hoje não uso saia, até os meus 14 anos, era quase a única parte de baixo do meu armário.

Um dia, sofri um preconceito enorme dentro da igreja, algumas pessoas me julgaram, me encurralaram, por eu morar numa casa, onde apenas EU era "crente", meu pai bebia, minha mãe não frequentava nenhuma igreja, aos fins de semanas tinha truco, cerveja e churrasco, eu vivia numa casa "mundana", esse foi o termo que usaram, eu era uma má influencia para as outras jovens daquela igreja.

Nem meia dúzia de pessoas, pessoas más, essas poucas pessoas, conseguiram me fazer tomar raiva de igreja, qualquer igreja, só ia em casamento ou algum evento mega importante pra alguém muito querido. Eu tinha 14 anos, quando decidi que não entraria mais na casa do Senhor, que não acreditaria mais em sua palavra, eu era uma criança revoltada! E cresci uma adulta revoltada!

Precisei de uma grande chinelada de Deus, para perceber que um bom filho, SEMPRE à casa torna! Precisei ver meu filho quase morrer, tomando milhões de remédios sem melhora, para finalmente aceitar que talvez, só talvez, apenas Deus pudesse dar a cura pra ele, apenas minha fé!

Fé, eu tinha muita fé aos 14 anos, nos dias de festa lá em casa, eu ia pro quarto, ler a bíblia, pedir perdão por meus pais, pedir que eles aceitassem Deus, mas depois da minha decisão de sair da igreja, decidi não ter mais fé, eu perdi minha fé em quase tudo, mas principalmente em Deus! Como eu iria entrar numa igreja com meu filho doente nos braços e pedir a Deus uma cura, se minha fé não era suficiente?

EU não sabia, mas mesmo assim entrei no carro e sai pela cidade, eram 19:30 horas, em ponto, pensei em ir numa igreja mais vazia, pra poder chorar num cantinho, foi nessa hora que Ele começou a agir, pois TODAS, até a mais pequena das igrejas estavam lotadas, menos uma, a maior igreja da cidade, eram 19:40 e na porta tinham meia dúzia de caros, parei na hora, era ali.

Entrei e realmente tinham poucas pessoas, sentei num canto, já comecei pedindo perdão, perdão por só voltar quando a dificuldade bateu na minha porta, perdão por meu egoísmo, mas sou mãe, sei que o Senhor entende e acolhe as mães em dificuldade. Fiquei de olhos fechados uns 5 minutos, e quando abri tinha uma colega de trabalho na fila do outro lado do corredor, acenei, ela veio até mim e me convidou pra sentar ao lado dela, fui relutante, a igreja já estava lotada, olhei pra traz e vi que as ruas ao redor estavam lotadas, descobri que era dia de Santa Ceia, que vergonha, senti vergonha por estar ali logo na Santa Ceia, onde geralmente TODOS os irmãos mais velhos vão, onde todos me conhecem, mas eu não estava ali por mim, era por ele, meu pequeno continuava imóvel no meu colo, acordado, mas sem forças.

Quando o culto começou, já senti uma presença estranha, um ar pesado, algo dentro de mim estava inquieto, chorei muito. Pedi com toda minha pouca fé, que Deus curasse meu filho! E quando o pastor mandou a gente se sentar ele começou a dar birra, queria ficar de pé. Tive que levantar e ir com ele pro fundo da igreja, pensei em ir embora, mas não tinha terminado de fazer o que fui fazer ali.

Foi aí que outra colega de trabalho passou e perguntou se ele havia melhorado, disse que não, e ela perguntou se eu gostaria de dar o nome dele para o pastor orar lá na frente, concordei na hora, é claro. Depois disso, tudo aconteceu muito rápido, só sei que de uma hora pra outra o pastor estava chamando meu nome pra ir com meu filho lá na frente, fiquei em choque, eu só queria discrição, porque tudo estava acontecendo daquela forma?

Por sorte uma das minhas melhores amigas tinha aparecido e estava ao meu lado, pedi socorro - você vai comigo? - ela me acompanhou até o altar, onde tinha uns sete pastores, no mínimo, e TODOS, todos os pastores, todos os irmãos, a igreja inteira começou a orar pelo meu filho, minha inquietação passou, fechei os olhos e pedi a Deus que se minha fé não fosse suficiente, que a fé daquela igreja inteira haveria de ser. Tive fé na fé dos outros!

Saí de lá chorando muito, mas de alma leve, sensação de dever cumprido! Cheguei em casa e o João quis descer do meu colo, coisa que ele não fazia a duas semanas, logo quis jantar, quis brincar, mas ainda estava fraco, logo dormiu. Foi uma semana longa, mas foi abençoada, meu filho não vomitou mais, voltou tudo ao normal. No domingo, pensei em ir na igreja agradecer, coloquei meu vestido novo, arrumei as crianças e fui. Se fui pedir, teria que ir agradecer, falei para uma amiga que o pastor poderia dizer lá na frente que a oração da semana passada tinha curado meu filho, a fé moveu montanhas SIM.

Foi um culto emocionante, fiquei no fundinho, meio escondida, o João dormiu o tempo todo no meu colo, até que do nada, como se uma força me puxasse, eu me vi num momento único de emoção, quando a pastora que ministrava o culto no dia chamou lá na frente todas as pessoas que gostariam de aceitar Deus em suas vidas a partir daquele momento, eu não sei nem como cheguei lá, mas fui a primeira, eu queria uma vida de milagres, uma vida de fé incondicional, eu "aceitei" Jesus.

O que sou agora?

Sou evangélica? Sou "crente"? Sou uma irmã em Cristo?

Ainda não sei! Só sei que quero mais de Deus na minha casa, quero uma educação religiosa para meus filhos, quero uma vida diferente, mais espiritual. Quero renovar minha fé na igreja e principalmente em Deus, quero a paz do senhor, quero fazer parte de uma comunidade de pessoas que desejam o bem, que fazem o bem.

E sabe qual é a melhor parte dessa história? Apesar de ter ficado com vergonha em alguns momentos, eu não estou ligando pra opinião de ninguém sobre isso, não ligo mesmo, essa decisão é só entre mim e Deus, o resto é só o resto!image

4 comentários so far

  1. Posso falar?. Sabe o que você é agora?. Filha!!. Não que antes já não fosse, mas a decisão que tomou, mesmo sem forças, renovou a paternidade do Pai.
    Teu testemunho é lindo Gardenya e o Senhor só deseja isso: que você o glorifique atravé da sua vida. Parabéns pela sua escolha. Que o amor D"Ele te envolva e transborde em sua vida.

    Beijos
    Thay Andrade
    www.blogdathayandrade.com

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  2. Sempre te leio, nunca comento, mas hoje não deu pra segurar! Tem noção do quanto Deus é tremendo?? Ele te chamou de novo para perto dele é você aceitou!! Parabéns! Que nosso Pai continue te abençoando!

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  3. Lindo! Emocionante!! Bem vinda de volta irmã! Deus te abençoe!

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  4. Sempre te acompanhei por aqui e pelo insta. Me vi nessa situação. Meu filho nasceu prematuro e eu, mae de primeira viagem, mal sabia ser mãe e acabei sendo mãe de UTI, foram dias dificeis, mas foi a forma que Deus decidiu que seria a hora de me chamar de volta. Tbm não me rotulo como "crente" ou "evangélica", mas hoje sigo Deus, e foi por amor ao meu filho que decidi retornar e hoje não me arrependo. Parabéns, sei como se sente, no momento estou como vc só quero mais de Deus, pq do jeito que minha vida estava antes impossível dizer que meu filho cresceria nos caminhos do Senhor.

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