16/03/2010

A Viagem - "Estamos indo de volta pra casa"


Acho que eu ainda não havia dito que nasci em Mato Grosso, no interior em uma cidadezinha chamada Campinápolis, morei por lá ate os 8 anos e depois que minha irmã nasceu, meu pai e minha mãe resolveram tentar a sorte eu um estado que estava começando a nascer e se tornando cada dia mais promissor, o Tocantins, todas as historias que contei ate agora aconteceram lá, eu dizia que não gostava de lá e que meu sonha era voltar pra cidade onde nasci, onde eu tinha minhas amiguinhas da escola e onde todo mundo conhece todo mundo, onde não há tarados ou ladrões e a gente pode andar livremente pelas ruas. No Tocantins eu morava em Palmas, uma cidade grande e consequentemente perigosa então meus pais meio que me prendiam pra me manter em segurança.
Depois que ficou decidido que voltaríamos pra minha cidadezinha pacata e tranquila eu fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, feliz porque iria reencontrar meus velhos amigos de infância e triste por que já morava em Palmas por cinco anos e já tinha feito algumas amizades verdadeiras por lá. Sem contar que estaria deixando que eu achava que era o amor da minha vida.
No ultimo dia de aula me despedi de todos e partimos, saímos de Tocantins com destino a Mato Grosso em um caminhão com nossa mudança e eu e minha irmã fomos na  carroceria  junto com os moveis, me lembro de como sacudia e de como eu vomitava, mais cada vez que eu ficava triste eu me alegrava pensando que eu estava indo de volta pra casa, eu iria ver meus tios e tias e minha vó, todo mundo que eu mais amava no mundo.
Foi uma viagem muito longa, e eu não me lembro muito bem dela, só me lembro eu vomitava o tempo todo e que o caminhão quebrou logo depois de entrarmos no fronteira de Mato Grosso, a viagem ficou atrasada por isso e eu só queria chegar, eu tinha a esperança de que lá eu seria mais feliz, lá eu teria amigas verdadeiras e lá eu encontraria um amor de verdade.
A parte que eu me lembro bem dessa viagem foi quando nós estávamos chegando na entrada da cidade onde tem um posto de gasolina e eu me senti eufórica, eu queria descer e abraçar cada casa, cada pé de manga, cada índio, eu queria gritar, não percebi quando minha euforia deixou de ser mental e começou a ser física, só me lembro de me perguntarem se eu estava bem, porque eu estava ofegante como um maratonista, foi uma das experiências mais felizes da minha vida, quando vi pessoas que eu conhecia, quando desci do caminhão e atravessei a rua sem ser buzinada, quando vi a igreja da qual eu tinha medo quando criança, quando vi o bueiro que eu cai dentro, meu Deus tantas lembranças, mais eu tinha certeza de uma coisa: eu seria feliz, ali eu seria feliz e era ali que eu iria morar pra sempre.
Isso aconteceu a oito anos e eu continuo aqui, e continuo amando essa cidade, com todos os seus defeitos, com a falta infra estrutura, com a precariedade da educação, e mesmo tendo que viajar 350 km pra fazer minha faculdade todo sábado eu ainda prefiro aqui, mesmo que ninguém mais prefira, quero morrer e ser enterrada onde nasci e onde passei os piores e os melhores anos da minha vida. 
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